quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Artigo Indefinido – Ano 1 – Nº 13
Primeiro de Janeiro de 2009! Primeira crônica desse ano novo, que nasce coberto de mistérios e dúvidas. Só espero que o fato de ser numerada com o famigerado número 13 não represente qualquer tipo de mau augúrio. O velho lobo Zagallo (“vocês vão ter que me engolir!”) sempre contrariou a crença pública quanto aos maus presságios vinculados a esse número. Mas, afinal de contas, é apenas um número como qualquer outro. Ou não? Vá se saber! Mas voltando às dúvidas e mistérios. Como se comportará esse 2009? Para começar, sem sermos consultados (como sempre!) estamos às voltas, a partir de hoje, com a nova grafia da língua portuguesa. Até 2012 poderemos continuar escrevendo da mesma forma (como são condescendentes aqueles que nos governam!), mas a partir desse ano não se poderá mais deixar de lado as mudanças, que não são poucas. De forma que a partir daí toda a escrita formal deverá seguir as novas regras: sumiço do trema, mudanças na utilização do hífen, saída de cena dos acentos agudo e circunflexo em algumas palavras (estréia, vôo, etc.), reintrodução das letras k, w e y, e por aí vai. A questão do trema me intriga, porque a mudança na escrita não alterará a pronúncia. Então a palavra “conseqüência” continuará sendo falada da mesma forma, apesar de perder o trema, o que a aproximará da grafia de outras palavras cujas pronúncias são diferentes, como “quente” ou “querer”. Qual será o critério para distinguirmos umas das outras? Aprende-se a palavra como deve ser dita e pronto? “— Olha, criança,“quente” é “kente” e “conseqüência” é “consecuência”, e não me torre a paciência!” Ora, pois. E aí, ao depararmos com uma palavra cuja pronúncia não nos foi ensinada previamente, a quem recorreremos? Ao dicionário, claro, que estará atualizado para ajudar-nos nessa tarefa, já que não teremos um critério claro para entendermos de pronto a pronúncia correta. Como diria o Professor Pasquale: é isso! Agora imaginem quanto dinheiro não vai ser usado para regularizarem essa canetada oficial! Precisarão ser corrigidos todos os dicionários, todos os programas de texto, as redações de jornais, os livros de consulta permanente, todos os livros didáticos, etc, etc e etc. Dá para ter noção do volume de trabalho, e conseqüentemente de custo, que essas mudanças vão ensejar? Não é uma coisa, digamos assim, bem oportuna? Dizem que a finalidade dessas mudanças é carregada de boas intenções, mas convenhamos, quem não conhece o bordão de que o inferno está cheio de gente com boas intenções? Por isso voltamos ao velho lobo Zagallo: essa reforma também está petulantemente nos enfrentando: “vocês vão ter que me engolir!”. Uma pílula amarga a menos ou a mais, que diferença faz? E retornamos aos mistérios e dúvidas desse – por enquanto – indefinível 2009. Após o porre econômico de 2008 (estouro da bolha imobiliária nos EUA, os títulos sub-primes, os bancos de investimento quebrando, o empoçamento da liquidez, a queda vertiginosa dos preços das commodities, a alta do dólar, os perigos da deflação e do encolhimento do consumo, a iminente quebradeira das três maiores montadoras automobilísticas americanas, a asa negra do desemprego sombreando todo mundo, e por aí vai), como será a ressaca em 2009? A grande esperança proporcionada pela eleição de Barack Obama: qual será o efetivo resultado? O novo presidente norte-americano está convocando gente da velha guarda para resolver os problemas atuais. Isso é a mudança que ele pregou enquanto era candidato? Até que ponto isso resultará em algo positivo? Ele vai conseguir estabilizar a maior economia do mundo e dar um fôlego para todas as demais economias dos países satélites? Falar em globalização hoje é redundância das redundâncias. Só quem é desprovido do mais básico entendimento econômico poderia dizer, como disse nosso presidente, que esse tsunami financeiro chegaria ao nosso país como uma simples marolinha. Isso porque a nossa economia estaria “blindada” contra esses revezes. Como diria a personagem do humorístico Zorra Total: “Tá bom, tá bom, tá bom! Quer dizer, bom, bom, bom não tá, mas tá bom!” Eu vejo com muito, mas muito mesmo, ceticismo, qualquer tipo de previsão econômica para 2009. Quais eram mesmo as previsões feitas no início de 2008? Há como confiar em previsões com esse cenário conturbado e complicadíssimo? O que podemos fazer é trabalhar, cada um na sua medida e no seu empenho, para que tudo funcione a contento, e assim transformarmos as esperanças que depositamos no ano novo em algo concreto e positivo. O jeito é respirar fundo, levantar a cabeça e seguir em frente: que venha 2009! Nos falamos.
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